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Revisão do Prodes 2015 mostra que desmate da Amazônia foi de 6.207 Km2

Correção mostra que desmatamento aumentou 24%, 6,45% maior do que o anunciado pelo governo inicialmente.

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fonte: Prodes/Inpe

O gráfico abaixo mostra que a queda acentuada a partir de 2004, quando iniciou-se o PPCDAm, teve um repique em 2008, que parece repetir em 2012 e 2015.

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A instabilidade das últimas três medições leva a supor que há um descontrole do governo nas políticas de proteção da Amazônia.

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Notícias sobre o desmatamento da Amazônia: só o governo pauta

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Jornalistas se espremem para coletiva de troca no MMA – maio de 2008

ANDI lançou na terça-feira, dia 10/12, pesquisa feita em jornais e revistas sobre o noticiário do desmatamento da Amazônia. Muita informação boa apareceu. De algumas delas, eu já desconfiava. Por exemplo, o fato de quase metade das matérias (47,8%) terem sido pautadas pelo governo. De iniciativa dos próprios veículos, foram nada mais que 14,2% da matérias veiculadas no período. Matérias investigativas sobre desmatamento, esquece, não passam de 1% do total.

Isso já sabia. A imprensa, sobretudo a de Brasília, sobrevive de ““aviso de pauta”” e informações das fontes. Sem elas, correria o risco de perder a utilidade.

Por outro lado, a pesquisa mostra que esses mesmos veículos parecem desconhecer as ações da sociedade civil na questão do desmatamento. Segundo a pesquisa, apenas 4,6% das matérias analisadas foram motivadas por ações e demandas desse setor.

Ok! Nas próximas apurações, seria educado ouvir a esses atores também. O problema é que há poucas ONGs e movimentos sociais preparados para atender a imprensa com eficiência. Tampouco é aconselhável só publicar opinião de poucas instituições.

Mas faço outra interpretação desse dado: pra mim, os 4,6% de matérias pautadas por iniciativas da sociedade civil têm a ver também com a despreocupação das pessoas em relação à florestas. Elas pouco se mexem.

Percebi essa alienação na época do desmonte do Código Florestal. Os esforços do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável não conseguiram sensibilizar a sociedade. A meta de um milhão de assinaturas para barrar o texto ruralista do PL só foi alcançada quando os artistas apelaram para seus fãs.

Fator Marina –-  Outro dado importante mostra a quantidade de matérias publicadas ao longo do período estudado. Houve pico em 2007/08, sucedido por queda em 2009.

Qual a causa? O estudo não menciona, mas, para quem se esqueceu, 2008 foi quando Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente. E aí consequentemente a pauta ambiental saiu da agenda federal, dando lugar à hegemonia do agronegócio.

Despedida de Marina Silva

Marina se despede de equipe em maio de 2008

Agropauta – – E a imprensa, que aceita a ditadura do “”aviso de pauta””, foi subserviente à virada ruralista. De todo o período analisado, só 10% das matérias sobre o desmatamento da Amazônia saíram em 2012 – último ano da pesquisa. Pura coincidência? Desconfio que não.

Outra pura coincidência, foi que, nas notícias analisadas no período, apenas 9,7% mencionaram a agropecuária “como “vetor mais importante do desmatamento””, nos termos do próprio estudo da ANDI.

Soma-se a isso, a tacada certeira da recém-eleita presidenta Dilma de manter, em 2010, Izabella Teixeira na MMA. A ministra não só sentou em cima da pasta, tirou o tema florestal da imprensa, como também se alinhou caninamente aos ruralistas.

Economia – – A pesquisa reclama que só 3,2% das matérias fazem alguma ligação entre desmatamento e economia. Pudera: dentro do atual governo, o desenvolvimento amazônico jamais entrou na pauta do ministro Mantega e sua equipe desenvolvimentista. Pra eles, Amazônia não passa do armazém do PAC.

Sobre os veículos de economia, a pesquisa mostra que a repercussão geral do que publicam é baixa (pelo menos no que diz respeito à questão ambiental). Apenas 2,5% das matérias que veicularam sobre o desmatamento na Amazônia garantiram visibilidade. (Não entendi o que a pesquisa quis dizer com ““visibilidade””.)

atividades econ e desmatamento

Legalidade injusta –- Há males que vêm pra bem: A pesquisa informa que 76,2% das notícias não distinguiram desmatamento legal do ilegal. Umm! Pensando bem, é melhor deixar tal distinção de lado.

Até porque números recentes indicam que não é preciso mais abrir áreas para aumentar a produtividade. O Brasil tem 58 milhões de hectares de pastos degradados, segundo dados fornecidos por Paulo Barreto do Imazon.

Alías, falando em índio, a pesquisa mostrou que os jornais amazônicos tendem a ligar mais frequentemente desmatamento com a vulnerabilidade social. Segundo o estudo, eles fizeram esse link em 19% das matérias, contra 13% do resto dos jornais.

Obras de infraestrutura – – A boa notícia é que a imprensa escrita teria começado a identificar as obras das hidrelétricas como mais novo vetor de desmatamento. Em 2007, só 2% das matérias exploraram essa conexão; em 2012, subiu para 31%. Sem dúvida, isso aconteceu graças às denúncias da sociedade civil. Uma vez que o governo federal nega e maquia qualquer dado sobre impactos ambientais, sociais ou econômicos.

Metodologia – Aqui parece haver uma contradição na metodologia da pesquisa: se a sociedade civil vem pautando a imprensa sobre os desmandos nas megas obras, como ela pode ter baixa influência nas matérias (4,6%)?

Vejo ainda outras considerações sobre a metodologia adotada. É complicado limitar a jornais e revistas. Afinal de contas, atualmente, eles representam apenas uma parte do que ainda dá pra chamar de imprensa. Hoje mesmo saiu uma pesquisa da agência ZenithOptimedia, ligada ao grupo Publicis WorldWide, informando que a Internet já é a segunda mídia mais importante, perdendo apenas para a televisão (veja aqui).

E mesmo a escolha dos veículos foi superficial, como notou a jornalista amazonense Elaíze Farias. Para ela, vários foram os veículos importantes desconsiderados. Em sua time line no facebook, ela cita, como exemplo, a exclusão do Jornal Pessoal, de Lúcio Flávio Pinto.

Se não houver flores -– E para finalizar, no capítulo “Desenvolvimento”, a triste constatação de que os pesquisadores não identificaram o Serviço Florestal Brasileiro como “política pública institucionalizada para o desenvolvimento da Amazônia”. É, Tasso, estão fazendo de tudo para melar o Serviço Florestal Brasileiro.

Para a pesquisa completa, clique aqui: Desmatamento Amazonia por ANDI

A dialética entre Inhotim e a paisagem natural

instalação Beam Drop, de Chris Burdan

Uma das instalações mais interessantes é essa de Chris Burdan, com barras de minério de ferro fincadas no topo de uma colina do parque.

A gente chega lá em cima, olha ao redor e vê as montanhas da região carcomidas por imensas escavações das mineradoras, além do desmatamento para a pecuária extensiva. Ironicamente, causadas pela atividade dos donos do parque, cujas empresas já receberam milhões de multa por desmatamento da Mata Atlântica mineira.

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Inhotim se localiza num município pobre, que sempre viveu da mineração e da pecuária. Visualmente, a cidade é de dar dó, apesar da candura do nome: Brumadinho.

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Ainda hoje, embora esteja na região metropolitana de Belo Horizonte, não tem nem asfalto para ligar seus distritos.

Mas as barras de ferro de Burdan lembram bem (pra quem quiser ver) quem são os responsáveis por aquela paisagem.

Abaixo vídeo que documenta o processo de criação da escultura em Inhotim. Dirigido por Pablo Lobato, o vídeo foi produzido pela Teia.