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REDD no Brasil: um enfoque amazônico

REDD no Brasil: um enfoque amazônico

A publicação “REDD no Brasil” um enfoque amazônico – Fundamentos, critérios e estruturas institucionais para um regime nacional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal” propõe uma estratégia nacional para mecanismo de REDD. Se optar por estabelecer tal regime, o Brasil estará abrindo oportunidades imensas para a promoção de um desenvolvimento econômico sob uma ótica de baixa emissão de carbono e de valorização de suas florestas e de toda a biodiversidade que nelas estão depositadas.

Você pode folhear a publicação ou baixar o arquivo em PDF

Comunicado Nº 82 do Ipea engessa poder de compra

O Comunicado Nº 82 do Ipea que trata do “poder de compra” para melhorar o meio ambiente não traz nada de novo – de novo. Dos dados apresentados nas Referências, apenas cerca de 20% das fontes foram publicadas depois de 2005.

A conclusão é que o único caminho para a sustentabilidade da relação oferta e demanda é a burocracia da certificação.

Outras formas de fomento para uma economia verde, que uso o tal poder de compra pra a virada para uma economia verde, como compras públicas sustentáveis (A3P), educação ambiental, investimento em indústrias de desenvolvimento verde não parecem ser relevantes para o IPEA.

Nada contra a certificação. Mas se trata de um instrumento limitado. Muitas vezes serve só para green wash.

No Brasil, para que um pequeno produtor não madeireiro certifique sua produção, ele tem de soltar, de cara, pro certificador coisa de R$ 1 mil por ano. Sem contar o custo dos investimentos que lhe serão exigidos.

Acompanhei alguns processos na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, e vi produtores comunitários dando nó em pingo d’água pra certificar sua produção, mas no final das contas não conseguirem nada.

Certificação para comunitário chega a R$ 1 mil/ano

Mas a pesquisa do IPEA não dá ênfase à inclusão econômica de atividades tradicionais. Embora parte do trabalho seja sobre floresta. Mercado é coisa para empresas e empresários.

Outra lado da pobreza do Comunicado Nº 82 do Ipea é submissão dos pesquisadores aos princípios econômicos neoclássicos.

Ao adotar as premissas neoclássicas, o pesquisador fica refém da dicotomia crescimento X meio ambiente. Trata-se de um falso dilema, que tem servido a ganha com a degradação ambiental.

Outras linhas de pensamento econômico, por exemplo, teriam entendimento distinto dos aspectos distributivos da produção ou dos chamados serviços ambientais. Vide teóricos como Faucheux, Cristovam ou Peter May. Só assim, vc pode entender a questão ambiental como ativo e não externalidades.

Discordo da econômica clássica quando entende as variáveis ambientais como #externalidades (sempre negativas). Externalidades seria tudo aquilo externo às atividades da empresa.

Capita natural, mão de obra especializada, pra mim, não têm nada de externalidade. São, sim, fatores de produção – que exigem investimentos e remuneração.

Meu conceito de externalidade negativa é o custo que o dono da empresa acha que dá pra terceirizar ou incluir no preço-final.

Dentro das análises sobre certificação, a pesquisa ressalta a importância da comunicação para dar simetria à informação sobre os produtos padronizados, mas também para que a população possa exercer a liberdade de escolha.

(Alguém podia levar isso lá para os dirigentes do MMA – tá precisando.)

Comunicado 82:  http://bit.ly/fXS8NI