Archive for the ‘floresta’ Category

Clipping da floresta – 22/05/17

 

Diante da crise que se instalou no Palácio do Planalto, os principais setoristas na imprensa avaliam que as votações no Congresso Nacional devem desacelerar. O próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já admite atraso de “um ou dois meses na apreciação do texto”. Avaliações indicam também que o Friboigate pode ser um revés na agenda ruralista na Câmara e no Senado.

Por outro lado, segundo os analistas, a crise tende a valorizar o apoio dos deputados ligados ao agronegócio. Para se ter uma ideia, segundo matéria do Valor, para aprovar as reformas da Previdência e do Trabalho, o Governo teria topado reduzir a alíquota do Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (Funrural) de 2,3% para 1,5% e perdoado débitos existentes e parte das multas e encargos. Isso corresponderia a um total de R$ 10 bilhões. Também no próximo Plano Safra, o governo vinha sinalizando o aumento  do subsídio aos juros; os primeiros números divulgados indicam que, no 2º semestre deste ano, o setor agropecuário deverá ter mais R$ 20 bilhões em juros subsidiados. Até o final do ano, somando tudo o montante poderá chegar a R$ 30 bilhões para o agronegócio. Isso tudo antes da crise.

(Com informações da Clima Info)

FRIBOIGATE PARALISA CONGRESSO: 16 MPs DE TEMER CORREM RISCO DE EXPIRAR
Governo teme quórum baixo em votações
http://www.poder360.com.br/congresso/friboigate-paralisa-congresso-16-mps-de-temer-correm-risco-de-expirar/
https://oglobo.globo.com/economia/cronograma-da-reforma-da-previdencia-pode-sofrer-mudancas-diz-meirelles-21374535

 

O AGRONEGÓCIO E O BRASIL: QUEM CARREGA QUEM NAS COSTAS?
À medida que as negociações dentro do governo federal se aproximam de uma definição em torno do Plano Safra 2017/18, previsto para ser lançado até o fim de maio, a equipe econômica já sinalizou que aceita reduzir em pelo menos 1 ponto percentual as taxas de juros das linhas de financiamento para investimento a juros controlados, apurou o Valor.
http://www.valor.com.br/agro/4973750/fazenda-aceita-reduzir-juro-em-ao-menos-1-ponto-no-plano-safra
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2017/para-aprovar-reforma-governo-afeta-arrecadacao-da-propria-previdencia
http://www.agricultura.gov.br/noticias/moderfrota-impulsiona-contratacoes-do-credito-rural-na-atual-safra/desempenho-credito-rural-safra-2016-2017-julho-a-novembro-2016.pdf/view

 

EXCESSOS RURALISTAS
Editorial da Folha de S. Paulo, deste domingo, dá continuidade as notícias sobre o paradeiro da tramitação das MPs e PLs pró-desmatamento na semana passada. Diz que, paradoxalmente, o caos instalado em Brasília pelos Batista pode pôr por terra parte da investida ruralista no Congresso. Para virarem lei, as MPs que reduzem UCs da Amazônia têm de ser votadas pelo Senado e sancionadas por quem estiver presidente até o dia 29, daqui a uma semana, o que é, nas palavras do editorial da Folha, “perspectiva hoje, das mais improváveis". O Observatório do Clima fez duras críticas ao setor. E a ClimateChangeNews publicou um artigo de Fabiano Maisonave contando como a JBS, protegida dos últimos governos, acabou por trair Temer para tentar salvar a própria pele.
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/05/1885879-excessos-ruralistas.shtml
https://www.facebook.com/ObservatorioClima/photos/a.737024159659493.1073741828.140336485994933/1692212370807329/
http://www.climatechangenews.com/2017/05/19/brazils-pro-beef-president-temer-betrayed-industry-courted/
http://www.valor.com.br/politica/4972876/analise-joesley-rifou-brasil-para-garantir-migracao-da-jbs-aos-eua

 

VIVEMOS NA ERA DO PODER DE TORNAR O MUNDO INABITÁVEL
n-ão é chute, mas pesquisa publicada no periódico científico "Environmental Research Letters" : pelo menos em Honduras, há correlação forte entre aumento de apreensões da droga e corte raso de floresta completamente fora do padrão usual de derrubada. Na Nicarágua e na Guatemala a correspondência se mostra menos evidente.
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/2017/05/1886216-noticias-do-antropoceno.shtml
http://www.ariquemesonline.com.br/noticia.asp?cod=329325&codDep=52

 

André Trigueiro
Recebi a carta abaixo do Ministério do Meio Ambiente. A carta, assinada por Sarney Filho, é endereçada ao partido dele, o PV. O Ministro explica porque - apesar do agravamento da crise - não pretende entregar o cargo. Nas entrelinhas, deixa claro que se sair do Ministério agora, entregará o posto para quem não tem compromisso com a área ambiental. Segue a carta.
https://www.facebook.com/AndreTrigueiroJornalista/posts/1484624384934626

 

SUSTENTABILIDADE É BOM NEGÓCIO
A ciência mostra que não temos tempo a perder e reivindica ações de impacto em relação às mudanças climáticas. Recentemente, a Marcha pela Ciência, originada em Washington, ganhou o mundo com este propósito, em clara resposta às posturas adotadas por Donald Trump. Um estudo recém-lançado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) aponta que ignorar esta agenda é, além de um desprezo à ciência, um mau negócio.
Leia mais: https://oglobo.globo.com/opiniao/sustentabilidade-bom-negocio-21368775#ixzz4hosc2Nydstest

 

O FIM DA PROPINOCRACIA EXTRATIVISTA
Da coluna de Reinaldo José Lopes, na Folha de S. Paulo: a erupção dos vulcões JBS, Odebrecht (e concorrentes) e Petrobrás está destruindo a “adesão tácita à ideia de que não dá para fazer as coisas de outro jeito”, que estaríamos “condenados por toda a eternidade a ser o reino do boi, da hidrelétrica superfaturada e do petróleo fedido”. Existiria assim a oportunidade de aprendermos a ler nossa imensa biblioteca natural, de encontrar e aprender sobre novos e velhos materiais e produtos. Lopes fala em transformar as zikas da vida em usinas de um “conhecimento cada vez mais crucial num mundo hiperconectado”. E termina chamando a atenção para as próximas eleições, oportunidade de busca de “candidatos que sejam capazes de enxergar a importância de criar um modelo não extrativo para a economia do país”.
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldojoselopes/2017/05/1885706-so-economia-tecnologica-pode-nos-livrar-da-propinocracia-extrativista.shtml

 

Projeto BioREC incentiva atividades econômicas que reduzem impacto à floresta
Com o BioREC, o Instituto Mamirauá assessora pequenos extrativistas para gerar renda e conservar a floresta
http://www.acritica.com/channels/governo/news/biorec-incentiva-atividades-economicas-que-reduzem-impacto-a-floresta

 

Árvores se comunicam entre si e têm até uma 'internet' própria
Na África, acácias liberam o gás etileno quando as girafas se põem a mastigar as folhas. Árvores vizinhas, então, bombeiam mais toxinas para suas folhas, para desencorajar o apetite das girafas
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2017/05/1885728-arvores-se-comunicam-entre-si-e-tem-ate-uma-internet-propria.shtml

 

Evento: Código Florestal completa cinco anos cercado de impasses em São Paulo
Representantes do governo, empresários, ambientalistas e pesquisadores da área se encontrarão no dia 25 de maio (quinta-feira) no evento “Código Florestal em São Paulo: impasses e oportunidades” para debater a regulamentação da lei no Estado de São Paulo. O encontro será no Reserva Cultural (Avenida Paulista, 900), em São Paulo.
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfelpP-roypAUFFSvjcvvlqI8Bx79VoXboeCEUN-mBcd9o9uA/viewform?c=0&w=1
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A bike e o menino – Jacareacanga/PA, 2010

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Apoie a carta chamando a FAO a rever a sua definição de floresta

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Floresta amazônica cercada por monocultura

Prezados amigos,

O 21 de março, Dia Internacional das Florestas, está logo ali. Como vocês se lembram, nesse dia, nós vamos entregar uma carta à FAO exigindo que mude sua definição de floresta, que permite considerar uma monocultura industrial de árvores como uma floresta.

Desde que entrou em vigor, o Acordo de Paris abriu as portas para uma nova expansão das plantações de monoculturas de árvores. Isso se dá através de diferentes meios, desde a promoção de sumidouros de carbono até a aplicação dos chamados programas de restauração ou de reflorestamento, e a promoção da madeira como fonte de energia para substituir os combustíveis fósseis. Uma das razões na raiz dessa promoção é que o Acordo de Paris – e a grande maioria dos países que o ratificaram – adotam a definição de florestas da FAO.

As plantações industriais de árvores causam enormes problemas para as comunidades locais e não são solução para a crise climática! A FAO precisa a mudar urgentemente sua definição de floresta que permite chamar plantações de “florestas”.

Se a sua organização ainda não aderiu à carta, convidamos a que o faça, enviando nome e país a fao2017@wrm.org.uy.

Se você não se lembra se a sua organização já se somou, veja aqui.

Ajude-nos a espalhar esta ação. Reenvie este e-mail, divulgue no Facebook, Twitter etc.

Muito obrigado
equipe WRM

 

Como a definição de Floresta da FAO prejudica pessoas e florestas?

Carta aberta à FAO
Em setembro de 2015, durante o XIV Congresso Florestal Mundial, milhares de pessoas foram às ruas de Durban, na África do Sul, para protestar contra a forma problemática em que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) insiste em definir as florestas.(1) A definição da FAO basicamente considera as florestas apenas como “um monte de árvores”, enquanto ignora outros aspectos fundamentais, incluindo as suas muitas outras formas de vida, como outros tipos de plantas, animais e as comunidades humanas que dependem da floresta. Da mesma forma, a definição ignora a contribuição vital das florestas para os processos naturais que proporcionam solo, água e oxigênio. Além disso, ao definir “florestas” como sendo apenas uma área mínima de terra coberta por um número mínimo de árvores com um percentual mínimo de altura e copa, a FAO tem promovido ativamente o estabelecimento de muitos milhões de hectares de plantações industriais de árvores, principalmente de espécies não nativas e nos países do hemisfério Sul. Como consequência, apenas um determinado setor tem se beneficiado: a indústria de plantações de árvores. As plantações industriais de árvores têm sido a causa direta de muitos impactos negativos sobre as comunidades locais e suas florestas, os quais têm sido bem documentados.(2)

Na marcha de protesto que aconteceu em Durban, as pessoas tinham cartazes dizendo Plantações não são florestas!, e a manifestação terminou em frente à sede do Congresso Florestal Mundial, que foi organizado pela FAO. Em resposta a um chamado de líderes da sociedade civil na marcha, um membro do WFC saiu do prédio onde ocorria o Congresso para receber um abaixo-assinado com mais de 100.000 assinaturas de pessoas e grupos de todo o mundo. O documento chamava a FAO a alterar urgentemente sua definição de floresta e reconhecer as florestas por seu verdadeiro significado. Mas, mais uma vez, a organização não alterou a sua definição.

No entanto, algo novo aconteceu: ao contrário do silêncio diante das reivindicações anteriores para que a FAO mudasse sua definição equivocada de floresta, desta vez a organização reagiu ao protesto e enviou uma carta. Um ponto que consta da carta da FAO é particularmente interessante: “Na verdade, há mais de 200 definições nacionais de florestas que refletem uma variedade de interessados no tema…”. E continua: “… para facilitar a comunicação de dados…, é necessária uma categorização globalmente válida, simples e operacional das florestas”, que permita “comparações constantes, durante longos períodos, sobre o desenvolvimento e as mudanças florestais globais”. Ao escrever isto, a FAO tenta nos convencer de que o seu papel é apenas o de harmonizar as mais de 200 diferentes definições de florestas de diferentes países.

Mas será que a definição atual de floresta da FAO não influencia a forma como as 200 definições nacionais foram formuladas? E a FAO está correta ao afirmar que as muitas definições nacionais de floresta refletem uma variedade de interessados nesses países, novamente menosprezando sua própria influência?

Nós acreditamos no contrário. Para começo de conversa, a definição de floresta da FAO foi adotada há muito tempo, em 1948. De acordo com uma análise conjunta feita recentemente por diferentes autores de conceitos e definições florestais, “a definição da FAO, acordada por todos os seus membros [membros da ONU], é a primeira a ser usada por todos os países para fazer relatórios com padrões comuns; a definição de floresta adotada pela FAO continua sendo a mais usada hoje em dia”.(3)

Um bom exemplo para ver se a definição da FAO está sendo usada é o Brasil, o país com a maior cobertura florestal no Sul global e, de acordo com fontes oficiais, com quase 8 milhões de hectares de plantações industriais de árvores, principalmente monoculturas de eucalipto. Em sua publicação Florestas do Brasil, de 2010,(4) o Serviço Florestal Brasileiro (SBF), que faz parte do Ministério do Meio Ambiente e é responsável por questões relacionadas a florestas, “(…) considera como floresta as tipologias de vegetação lenhosas que mais se aproximam da definição de florestas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)”. Como consequência lógica do fato de que sua definição se baseia no que a FAO já definiu, afirma que “o Brasil é um país (…) de florestas naturais e plantadas”, onde a expressão “florestas plantadas” se refere aos 8 milhões de hectares de monoculturas, em sua maioria de eucalipto. A forma como o governo brasileiro define floresta, portanto, não é resultado de um processo que “…reflete uma variedade de interessados no tema”. Pelo contrário, é resultado do que a FAO já havia determinado.

Mas a influência da definição de floresta da FAO vai além de determinar as definições nacionais. Nestes tempos de mudanças climáticas, ela tem sido o principal ponto de referência para definir o que é uma floresta no âmbito da Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU (UNFCCC). Ao adotar a definição estreita da FAO, baseada na madeira, a UNFCCC também promoveu uma visão da floresta como uma área de terra contendo apenas árvores. Para a UNFCCC, o mais importante em uma floresta são as árvores, por causa de sua capacidade de armazenar carbono à medida que crescem, e não as comunidades que dependem da floresta. Na maior parte, essas comunidades afetadas são impactadas negativamente pelas restrições impostas ao uso de recursos florestais por “projetos de compensação carbono florestal”, também chamados, muitas vezes, de projetos de REDD+.(5) Uma definição de florestas que trata apenas de árvores abre a porta para incluir “florestas plantadas” – leia-se: plantações industriais de árvores – uma forma completamente falsa de “redução do desmatamento e da degradação florestal” – como opção dentro da convenção de mudanças climáticas, através da qual o carbono pode supostamente ser sequestrado da atmosfera e armazenado permanentemente. Na prática, é apenas mais uma oportunidade para a indústria das plantações de árvores ganhar dinheiro e uma grande ameaça para as comunidades afetadas pela tendência de expansão dessas plantações como “sumidouros de carbono”.

Na sequência das últimas negociações da UNFCCC, os países têm revisto suas leis florestais recentemente, na esperança de atrair o chamado “financiamento para o clima”. Previsivelmente, as definições usadas têm por base a definição de florestas da FAO. Em Moçambique, por exemplo, em um seminário sobre REDD+, um consultor propôs uma nova definição de floresta para o país. Assim como a da FAO, ela também se baseia na presença de árvores, dizendo que uma floresta é uma área onde há “… Árvores com potencial para alcançar uma altura de 5 metros na maturidade (…)”. Também na Indonésia, a apresentação do Ministério do Meio Ambiente e Florestas à Conferência da ONU sobre o Clima em 2015 declarou que tinha “… adaptado a definição de floresta da FAO…” para definir suas florestas. Mais uma vez, é uma formulação que define e valoriza uma floresta somente através de suas árvores e divide “florestas” em um número de diferentes categorias, incluindo “floresta natural” e algo chamado de “florestas de plantação”.(6)

A definição de floresta da FAO também influencia as ações das instituições financeiras e de desenvolvimento que promovem atividades baseadas na madeira, como a extração industrial de madeira de florestas, as plantações industriais de árvores e a compensação de carbono por REDD+. O principal exemplo é o Banco Mundial (BM), o qual, como parte do conglomerado da ONU, tem feito parcerias com a FAO por décadas, em uma série de iniciativas relacionadas a florestas.Eles uniram forças mais uma vez, em um dos planos mais ambiciosos lançados durante a COP 21 em Paris, a chamada Iniciativa para a Restauração da Paisagem Florestal Africana  (AFR100).(7) A AFR100 visa cobrir com árvores 100 milhões de hectares de terras desmatadas e chamadas de “degradadas” em diferentes países africanos. O Banco Mundial vai disponibilizar um bilhão de dólares para o plano. Mas, para entender o que o Banco considera como “reflorestamento”, é crucial ver como ele próprio define uma floresta. Previsivelmente, sua definição também é emprestada da FAO, descrevendo uma floresta como “uma área de terra … com cobertura de copa de mais de 10% e que tenha árvores …”.(8) Ao definir florestas dessa forma, o Banco Mundial escancara as portas para que empresas de plantação da árvores expandam suas grandes monoculturas sobre os territórios comunitários na África e, assim, façam parte do ambicioso plano de “restauração” que ele está promovendo em conjunto com a FAO e outros parceiros. A proposta da AFR100 se parece muito com o fracassado Plano de Ação para a Silvicultura Tropical (TFAP) da década de 1980, que também foi idealizado pelo Banco Mundial em colaboração com a FAO.

Considerações finais

É urgente que a FAO pare de apresentar as plantações industriais de árvores como “florestas plantadas” ou “silvicultura”, pois governos nacionais, outras instituições da ONU e instituições financeiras, bem como os principais meios de comunicação, seguirão seu exemplo inadequado. Essa confusão deliberada de plantações de árvores com florestas está enganando as pessoas, porque as florestas em geral são vistas como algo positivo e benéfico. Afinal de contas, quem seria contra “florestas”?

Acima de tudo, a FAO deve assumir total responsabilidade pela forte influência que sua definição de “floresta” tem sobre as políticas econômicas, ecológicas e sociais globais. O abaixo-assinado de 2015, que foi apresentado à FAO em Durban, afirma que ela se apresenta, em seus princípios fundamentais, como um “fórum neutro, onde todas as nações se reúnem como iguais”. Para corresponder a essa afirmação, entre outras coisas, a FAO deve rever urgentemente sua definição de floresta, passando de uma visão que reflete as preferências e perspectivas de empresas de madeira, celulose/papel, borracha e comércio de carbono, para uma que reflita as realidades ecológicas, bem como os pontos de vista dos povos que dependem da floresta. Em contraste com a atual influência dominante que as indústrias baseadas na madeira exercem através da FAO, um processo transparente e aberto para estabelecer definições novas e apropriadas para florestas e plantações de árvores também deve envolver efetivamente essas  mulheres e esses homens que dependem diretamente das florestas e por isso as protegem.

1-              “Terra com cobertura de copa (ou densidade equivalente) de mais de 10% e área de mais de 5 hectares (ha). As árvores devem ter potencial para atingir uma altura mínima de 5 metros na maturidade in situ”.
2-              Veja mais em http://wrm.org.uy/browse-by-subject/tree-plantations/.
3-            Chazdon, R. L., Brancalion, P. H. S., Laestadius, L. et al. Ambio (2016). doi:10.1007/s13280-016-0772-y. When is a forest  a forest? Forest concepts and definitions in the era of forest and landscape restoration (http://link.springer.com/article/10.1007/s13280-016-0772-y).
4-            http://www.mma.gov.br/estruturas/sfb/_arquivos/livro_portugus_95.pdf.
5-            Veja mais em http://wrm.org.uy/books-and-briefings/redd-a-collection-of-conflicts-contradictions-and-lies/.
6-            http://www.greenpeace.org/international/Global/seasia/Indonesia/pdf/FREL_Report.pdf.
7-              http://www.wri.org/our-work/project/AFR100/about-afr100.
8-            http://tinyurl.com/j5d6mbv

Organizações que aderiram até 19 de janeiro de 2017

International Center for Technology Assessment   E.E.U.U  
Abibiman Foundation in Ghana   Ghana  
Africa Europe Fait and Justice Network   Internacional  
All India Forum of Forest Movements.   India  
Allure Marketing      
ARA   Alemania  
Asoc. Lihuen Antu   Argentina  
Asociación Ecologistas en Acción Las Palmas de Gran Canaria   España  
Asociación Geográfica Ambiental   España  
Asociacion Red de Coordinaciòn en Biodiversidad   Costa Rica  
BCMTY.org   Chile  
BCMTY.org   Nueva Zelanda  
Biodiversity Conservation Center,   Rusia  
Biofuelwatch, UK/US.   Reino Unido/E.E.U.U  
Borneo Orangutan Survival (BOS)   Alemania  
Botshabelo Unemployment Movement   Sudáfrica  
Brighter Green   Internacional  
BUND – Friends of the Earth Germany   Alemania  
Censat Agua Viva.   Colombia  
Center for Food Safety   E.E.U.U  
Climate change awareness kenya   Kenia  
COECOceiba   Costa Rica  
Comité Nacional para la Defensa y Conservación de Los Chimalapas   Mexico  
Community Forestry Users Nepal (FECOFUN)   Nepal  
Conselho Indigenista Missionário   Brasil  
Cork Forest Conservation Alliance  
denkhaus Bremen   Alemania  
DIÁLOGO 2000 – JUBILEO SUR ARGENTINA   Argentina  
Dogwood Alliance   E.E.U.U  
EcoNexus   Reino Unido  
Edenvale RiverWatch   Sudáfrica  
Finance & Trade Watch (Austria)   Austria  
Flemish Centre for Indigenous Peoples   Bélgica  
Forum Carajas   Brasil  
Forum Ökologie & Papier   Alemania  
Fossil-Free South Africa   Sudáfrica  
Friends of the Earth Interantional   Internacional  
Friends of the Earth Sweden   Suecia  
Fundación Azul Ambientalistas   Venezuela  
Fundación para el Desarrollo Comunal Integral   Nicaragua  
Fundacion Recysol   Colombia  
GeaSphere   Sudáfrica  
Global Justice Ecology Project   E.E.U.U  
Great Ape Project.   Internacional  
Greenpeace International   Internacional  
groundWork   Sudáfrica  
Grupo ETC   Internacional  
Indigenous Environmental Network   E.E.U.U  
Instancia de Consenso del Pueblo Maya Q’eqchi’-Poqomchi’ de Alta Verapaz “K’amol B’e”   Guatemala  
Justica Ambiental / FoE Mozambique   Mozambique  
Maderas del Pueblo del Sureste, AC   Mexico  
MEFP   República Centro Africana  
Movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho   Brasil  
Nature and Youth Sweden   Suecia  
Naturvernforbundet – FoENorway   Noruega  
Oasis Earth   E.E.U.U  
Observatório dos Conflitos no Campo (OCCA)/ UFES   Brasil  
OFRANEH   Honduras  
Orang-Utans in Not e.V.   Alemania  
Otros Mundos AC/Amigos de La Tierra México.   Mexico  
Pacific Institute of Resource Management   Nueva Zelanda  
PGU (Personal-Global-Universal): Towards Equitable Sustainable Holistic Development   Reino Unido  
PLANT   E.E.U.U  
Pro Natura – Friends of the Earth Switzerland   Suiza  
Protect the Forest   Suecia  
Proyecto Gran Simio (GAP/PGS-España)   España  
PUSH   Suecia  
Rainforest Relief   E.E.U.U  
RED ARGENTINA DE AMBIENTE Y DESARROLLO   Argentina  
Red de Acción por los Derechos Ambientales (RADA)   Chile  
Reforest the Earth   Reino Unido  
Regenwald statt Palmöl”   Alemania  
ROBIN WOOD e.V.   Alemania  
School of Democratic Economics, Indonesia   Indonesia  
Solidarity Sweden – Latin America   Suecia  
Swedish foundation Naturarvet   Suecia  
Synchronicity Earth   Reino unido  
Tanzania Alliance for Biodiversity   Tanzania  
The Gaia Foundation   Internacional  
The Indigenous People of Mariepsko   Sudáfrica  
Universidade Federal de São João Del Rei   Brasil  
Verdegaia   Galicia  
ZZ2   Sudáfrica  
TimberWatch   Sudáfrica  
World Rainforest Movement   Internacional  

 

Mata Atlântica como suvenir

Floresta Virgem em Mangaratiba, na província do RJ

foto: Luiz Felipe Kunz

Rebio da Serra Geral/RS

As duas imagens acima compartilham o mesmo tema: a diversidade harmônica  da Mata Atlântica. Mas são separadas por 200 anos.

A primeira é uma fotografia relativamente atual que trata do interior da rebio estadual da Serra Geral. A segunda uma litografia impressa em Paris a partir de um desenho da Mata Atlântica, feito na primeira metade do século XIX, pelo pintor e desenhista alemão Johann Moritz Rugendas.

Rugendas veio ao Brasil acompanhado expedições cientificas europeias, mas se maravilhou pela fisionomia única da Mata Atlântica. Ao contrário de seus contemporâneos, ele percebeu que a magia da flora estava na harmonia do ambiente preservado e não secionada nos museus.

Já a foto do interior da rebio mostra que a área serve como um souvenir do que foi a Mata Atlântica um dia. Hoje quase inteiramente destruída pelo progresso brasileiro. (Nessa época a Alemanha, pátria de Rugendas, já conservava suas florestas.)

Esse extrato de Mata Atlântica só chegou aos nossos dias por estar numa área de acesso remoto — isolada entre cânions de três municípios do norte do RIo Grande do Sul.

Em 1982 o governo estadual transformou a área numa reserva biológica, com cerca de 4 mil hectares. Ampliados em 2002, por iniciativa do então chefe do Departamento de Floresta e Áreas Protegidas da Sema/RS, Luiz Felipe Kunz.

A fotografia é de 1995, tirada pelo próprio Felipe. Encontrei ontem escarafunchando seus arquivos que tratam de eras ultrapassadas: quando havia movimento ambientalistas no Rio Grande do Sul.

Mais sobre a Rebio da Serra Geral aqui.

Rômulo Mello: atenção às unidades de conservação é a chave da próxima fase do PPCDAm

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No foco, Rômulo Mello, então presidente do ICMbio

No dia 05 de outubro, na abertura do Seminário Técnico-Científico de análise dos dados do Prodes, realizado em Brasília, o então presidente do ICMBio, Rômulo Mello, falecido no último dia 10, deixou essas palavras para que servissem de guia para o seminário.

O interessante da mensagem deixada por Rômulo é que, segundo ele, para que o PPCDAm continue a dar resultados, o plano precisa voltar ao que sempre foi. Tai algo surpreendente na história das políticas públicas nacionais, sobre tudo na área ambiental.

Abaixo a integra da sua fala de Rômulo. Sintética, mas que guarda as chaves do sucesso da próxima fase do PPCDam.

Parabeniza o MMA pela abertura de um debate técnico sobre o desmatamento, que possibilita uma análise circunstanciada do papel das diferentes instituições no controle do desmatamento. Uma das estratégias, iniciada em 2002-2003, foi o instrumento das unidades de conservação como forma de combate ao desmatamento.

Os resultados foram positivos, mesmo nas unidades com baixo grau de implementação e gestão atingimos efeito positivo em relação à diminuição das ações antrópicas.

Se olharmos o arco do desmatamento, algumas unidades foram criadas para evitar que o avanço agropecuário comprometesse mais ainda a floresta. Os resultados são reconhecidos nacional e internacionalmente. Exemplo disso, é a implantação de unidades de conservação ao longo das rodovias BR-163 e da futura BR-319, áreas que se tornaram críticas por causa das obras de infraestrutura. Não posso deixar de mencionar que, desde a criação do ICMBio, em 2007, a gestão foi otimizada.

Os dados mostram, com exceção da Reserva Biológica de Gurupi, no Maranhão, que apenas 3,6% do desmatamento acontece em unidades de conservação. Desses, 70% acontece em 4 unidades: APA Tapajós, REBio do Cachimbo e Flona Jamanxin, que já foram criadas como barreira do desmatamento e para regularização fundiária das terras que estavam em mãos de grileiros.

Essas ações foram resultado do PPCDAm. Por isso, é preciso que o plano volte a dar atenção à essas unidades. Principalmente, por meio de parcerias em todos os âmbitos – públicos e privados.

Não dá para se entender o desmatamento de modo geral na Amazônia, é preciso um olhar especifico para cada uma dessas áreas críticas. Nos últimos anos, tivemos uma fragilização do combate ao desmatamento e dos incêndios florestais no ICMBio, mas agora novos recursos serão envidados na proteção.

É necessário ter aporte de equipe e recursos permanentes. Essas quatro unidades têm caraterísticas especificas e receberão atenção especial do ICMBio.

Concluindo, gostaria de fazer uma referência ao governo atual sobre como enfrentar o desmatamento. Na época que o PPCDAm foi lançado, o governo reuniu 14 ministérios, coordenados pela Casa Civil.

Muito obrigado

Tom Jobim: O Brasil é pura floresta

 

foto; João Bittar

Tom no jardim da casa dele no Rio

O Brasil é pura floresta.

Até o nome Brasil vem da floresta.

Outrora pensou-se em dar ao Brasil o nome de Ipê. Outra árvore ameaçada e linda! O ipê-roxo, o rosa e o amarelo! Amarelo Deus! Pau-d’arco, madeira de lei.

No dia da árvore fomos plantar uma no Parque Lage. Enquanto isso acontecia quimavam-se milhares de árvores no Brasil. Não só no dia da árvore, como todo o dia.

Mas que quer o Homem?

Queimar a floresta, matar os índios e os bichos, engaiolar os pássaros e escravizar a mulher.

Sempre falando em progresso e criando o deserto. Inventando a miséria na terra da opulência.

Brazil. Brasil, cadê o pau Brasil?

Zona da Mata! Cadê a mata?

Itabira do Mato Dentro, cadê o mato?

Boca do Mato? Cadê o mato?

Lá embaixo, vistas do avião, as voçorocas descomunais, as entranhas da terra à mostra, a terra cremada, erodida, levada pelas águas, as serras despencando, as pedras morro abaixo, o fogo morro acima indo buscar a última árvore, nas grimpas.

As cinzas negras flutuando no ar, na maria-preta, o estouro dos taquaruçus, a língua de fogo atravessando o rio e o fogo pulando para a outra margem.

Ar poluído, águas poluídas, (o outro lado).

Destruição do paraíso. Fim da vida vegetal e animal.

No Estado do Rio de Janeiro, na última estiagem de mais de quarto meses, vi, com estes olhos, mais de cem fogos! À noite o céu ficava vermelho, de dia, cinza. O ar, irrespirável, as lágrimas rolando, o claro no inverno, insuportável.

Total devastação! Holocausto! Crime hediondo!

O sítio de minha mãe parece a cratera de um vulcão. Alguns cínicos falam em combustão espontânea. Ora, o Brasil é um país chuvoso e hereditário. O Estado do Rio de Janeiro é um dos lugares onde mais chove no mundo. Parece que todos têm uma caixa de fósforo no bolso. Qualquer estiagem eles tentam, a ver se pega.

Perguntei a um, por que botar fogo?

Resposta: é bom, pra plantar feijão.

Perguntei a outro: pra que o fogo?

O fogo faz fumaça que sobe e forma as nuvens que se condensam em chuva, que é boa pra plantação!

Aquel’outro me disse que o C02 é bom para as plantas.

Nesse duro escritório, tudo vem da floresta.

As longas tabuas do chão.

A madeira do piano, o pau-rosa do violão, a lenha no fogo, o lápis com o qual eu escrevo essas linhas, a mesa, a cadeira que estou sentado, a porta, a janela.

Meu Deus, é tudo floresta!

Móvel, esta escrivaninha de onde vos escrevo estas maltraçadas…

É claro que para Deus nada disso tem importância, a Terra não fará falta nenhuma. Deus tem milhares de planetas com onça, anta, macuco, mutum, com jacarandá, jequitibá, ipê, maçarandubas fabulosas, nunca vistas aqui na Terra, com animais que se unem e plantas que florescem na desconhecida primavera de um planeta selvagem.

A FLORESTA ENCANTADA

Mas de repente falta água no Rio de Janeiro e D. Pedro II pede ao Major Gomes Archer que plante a floresta, ou seja, que replante a Floresta da Tijuca. Naquele tempo a água principal vinha do rio Carioca, que nasce nas faldas do Corcovado, descendo pelo Cosmo Velho, Santa Thereza e atravessando a Lapa pelo aqueduto, sobre os arcos, que levava água para o centro do Rio. Mas essa água não era suficiente. Dom Pedro II sabia que com o desmatamento da Serra da Carioca e do Maciço da Tijuca, os mananciais secariam. A devastação era muito grande.

Restaram poucos trechos da mata virgem original. Eles não pensaram em fazer um parque com árvores ou um santuário com animais silvestres.

Assim foi que em 1862, pensando na água, o Major Archer, ajudado por seis escravos, iniciou o plantio da Floresta da Tijuca!

Incrível Floresta! Além de espécies nativas, vindas de Guaratiba e das Paineiras, plantou também espécies exóticas, como mangueiras do sudeste asiático, jaca índica, eucaliptos australianos, jambo da Ásia, bambus, pinheiros e outras.

E o incrível é que essa Rain Forest, essa Cloud Forest não pega fogo!

Quantas e quantas vezes, andando pela floresta, vi velas acesas no oco do pau. Quantas vezes vi balões enormes caírem acesos na floresta. Estes balões navegam à noite, de Norte para Sul, tangidos por um fraco terral. No mais das vezes eles caem no mar, cruzando o litoral leste-oeste do Rio de Janeiro.

Assim como o homem devasta, corta, queima tudo para fazer lenha, carvão, e planta café e cana, de repente, por falta d’água, ele planta uma floresta! E que floresta!

Não é uma floresta interesseira, de uma só espécie, sem pássaros, sem bichos, não é uma floresta de pinheiros nem de eucaliptos, é uma floresta com milhares de espécies vegetais e animais. Conspurcada, invadida em mil lugares, sim, como motocicletas correndo pelas picadas, roubada de suas orquídeas, de suas borboletas, de suas avencas, de seu silêncio, de suas madeiras de lei, de seus palmitos, com caçadores penetrando e matando tudo que encontram, em qualquer época do ano. Outros pegam borboletas, os armadilheiros pegam tatus, lagartos, micos, macacos, esquilos, preguiças e muitos pássaros. E cerca a água, o bicho com sede se aproxima e cai na esparrela, na cilada, no mundéu, na ratoeira, no laço, na urupuca, o Homem é mestre em transformar o paraíso em inferno, incríveis maquinações!

A inteligência nos traiu, justamente quando esperávamos aplicá-la sobre as espécies menos favorecidas. E agora vamos aos peixes… no anzol, na rede, no veneno, na dinamite, no covão…

Meu bravo Major Acher: você sabia de tudo, você plantou mais de sessenta mil árvores. Deus está orgulhoso de você e eu estou feliz por você e não só por causa da água! Mas também.

Num agosto-setembro, quando a jacutinga busca nas grimpas o coco da juçara e o fruto do murici, caminhávamos o Elzo, eu e o Therezinho pela trilha batida da porcada, ao longo do paredão. Na fresca da manhã, nossas sombras davam para a esquerda. Sabíamos que seguindo o rastro da porcada encontraríamos a passagem que levava ao outro lado da montanha. Mas isso já é outra história…

Ofereço estas mal traçadas rinhas, estas mal traçadas vinhas aos ex-caçadores que tiveram compaixão de suas vítimas.

E por amar tanto o mato e os bichos conheceram o mato e os bichos.

E porque existe uma maneira de amar sem matar.

E porque existem muitas maneiras de amar sem matar.

Como fazem os fotógrafos a quem dedico estas mal traçadas caprichadas linhas.

Estas cem traçadas minhas, já que dez traçadas tinhas.

Te espero no chão macio da Floresta.

Com amor.

Com carinho.

Com floresta e passarinho.

Antonio Carlos Jobim

(Apresentação do livro “Toda minha obra é inspirada na Mata Atlântica”, Ana & Tom Jobim)

 

foto: Cristiana Aspesi

Revisão do Prodes 2015 mostra que desmate da Amazônia foi de 6.207 Km2

Correção mostra que desmatamento aumentou 24%, 6,45% maior do que o anunciado pelo governo inicialmente.

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fonte: Prodes/Inpe

O gráfico abaixo mostra que a queda acentuada a partir de 2004, quando iniciou-se o PPCDAm, teve um repique em 2008, que parece repetir em 2012 e 2015.

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A instabilidade das últimas três medições leva a supor que há um descontrole do governo nas políticas de proteção da Amazônia.

Cerrado – Quem ama cuida

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Espécie típica do Cerrado em área convertida em Pasto – Região do Entorno/DF

O Cerrado percentualmente é mais desmatado do que a Amazônia, mas mobilização comunitária é chave para a solução

O Cerrado é considerado a savana com maior número de espécies vegetais e animais do planeta. No entanto, a crescente ocupação humana vem diminuindo sua área ano após ano. Cerca de 46% da área original já foi destruída, segundo dados do Projeto TerraClass 2013, organizado pelo Ministério do Meio Ambiente.

Apesar de já ter perdido mais área proporcionalmente do que a Amazônia, o Cerrado sempre foi preterido em relação a ela. Enquanto a Amazônia goza de um sistema de monitoramento constante por satélite desde 1998, o desmatamento do Cerrado só é analisado ocasionalmente, como aconteceu no ano passado com a publicação do TerraClass – mesmo assim com dados de 2013.

Mas que foram suficientes para mostrar o tamanho do problema. Esse estudo serviu também para deixar claro as principais causas da destruição. Todas eles de difícil solução, mas possíveis de serem derrotadas. A primeira delas, não necessariamente a mais grave, é o uso de galhos e troncos das árvores do Cerrado para produção de carvão vegetal e lenha.

Para quem não sabe, o carvão vegetal é muito utilizado na indústria siderúrgica, principalmente para produzir imóveis e automóveis, objeto de desejo de todos e cada um de nós.

Já a produção de lenha serve para abastecer cadeias produtivas de pequeno e médio porte, como a indústria têxtil, por exemplo. E, por incrível que pareça, fogões e lareiras de milhares de residências de alta e baixa renda de todo o Brasil. (Classes sociais distintas na renda, mas que caminham de mãos dadas na destruição do nosso patrimônio florestal.)

A pecuária é outra atividade de altíssimo impacto no Cerrado. A opção nacional pela criação de gado extensiva, exige, ano após ano, mais e mais substituição de áreas nativas para pasto. Seja em terras públicas ou privadas.

Junta-se a isso a baixa fiscalização dos órgãos federais e estaduais, que carecem de pessoal e equipamento para agir contra os crimes ambientais.

DF – Na Capital do Brasil a situação não é nada boa. Dados desse mesmo estudo mostram que 48% da extensão territorial do DF é ocupada pela agropecuária e 10% por manchas urbanas, o que corresponde a 58% de área natural convertida.

De vegetação natural sobraram apenas 42% do total. O que eleva o DF à quinta unidade da federação com mais áreas desmatadas. Só perdemos para São Paulo, com 81%, Mato Grosso do Sul, com 67%, Goiás 57% e Paraná com 58%. Veja gráfico.

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Gráfico 1. Distribuição das frequências das classes de uso do solo e cobertura da terra no Cerrado,  por estado

Outro dado negativo é que, no DF apenas 4% de sua área foi destinada a unidades de conservação, sejam distritais ou federais. (O estudo não incluiu áreas das Unidades de Conservação classificadas como APAs, por serem muito flexíveis à conversão da vegetação nativa).

E pior, abrigamos no DF a terceira unidades de conservação federal com maior área de vegetação natural destruída. A Floresta Nacional de Brasília apresentava em 2013, 69,75% de desmatamento acumulado.

IBRAM – As unidades distritais também têm sofrido um bocado. Segundo dados do Instituto Brasília Ambiental (IBRAM) 19 tiveram a vegetação nativa de sua área integralmente convertida, seja por invasão privada, seja por consequência de descartes de entulho, ou para cultivos de exóticas.

Exemplo disso, é o parque Dom Bosco, perto da barragem do Lago Paranoá. Apesar de preservar cinco fisionomias diferentes do cerrado, entre matas de galaria, cerrado denso, entre outros, essa área vem sendo assediada desde a época da construção da capital.

Lá dentro, dá de tudo, solo exposto, devido à erosão, e até invasão para produção agrícola. Veja mapa:

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Não que ocupação seja errada, muito pelo contrário. Quanto maior o interesse das pessoas pelos parques, menos expostos eles ficarão aos crimes ambientais.

Exemplo disso, é o Parque Sucupira, que margeia o Eixo Monumental. Criado em 2005, ele conta com um grupo de pessoas engajadas na restauração da vegetação nativa e preservação dos remanescentes.

No Facebook, o parque tem uma comunidade que conta com 752 membros. Gente ativa que está sempre de olho no cuidado com o parque. E o melhor, organizam eventos que conjugam lazer e educação ambiental. A final de contas, como diz o ditado: “quem ama cuida”.

SEMA – O Decreto nº 37.115, de 16 de fevereiro de 2016, criou o programa Brasília nos Parques, cujo objetivo é justamente incentivar a população a se apropriar das áreas verdes das cidades e, de acordo com as peculiaridades de cada parque apresentar à população lista de ações a serem desenvolvidas durante o ano. As ações do programa Brasília nos Parques são coordenadas por um comitê gestor composto por 11 órgãos governamentais e colegiado é coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente.

Outra importante iniciativa é a Virada do Cerrado, um programa colaborativo, envolvendo todo o Sistema Distrital do Meio Ambiente e que a partir de parcerias entre a população e o governo local desenvolve ações de educação socioambientais no desafio da cuidado e da preservação do cerrado.