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Quem ganha com o Plano Safra Semiárido? A região da Caatinga é que não é

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Dilma ainda acha que o meio ambiente atrapalha o desenvolvimento sustentável

No lançamento do Plano Safra Semiárido, hoje em Salvador, o foco era o combate a pior seca dos últimos 50 anos. Mas não ouvi nada da presidenta Dilma sobre o combate à desertificação na região, tampouco ela mencionou alguma preocupação para com as mudanças climáticas.

Se tivesse alguma instrução ambiental, Dilma incluiria investimentos na restauração da Caatinga – bioma há milênios adaptado à estiagem e que, naturalmente, fornece água e alimento para a pecuária. Seria uma opção pelo manejo sustentável. A Embrapa Semiárido domina essa tecnologia há décadas.

Não, Dilma prefere investir na conversão da Caatinga e na introdução de espécies exóticas, pouco adaptadas ao Semiárido. Com o novo pacote, ganha todo mundo, menos a quem mais interessa: a população da região.

Outra confusão é essa história de comprar milho de outras regiões para distribuir no Semiárido. Não sabia que vaca comia milho… Mas agora vão ter de aprender, afinal de contas, as indústrias amigas do governo tem faturado um bolão com media. Só em abril e maio foram 340 mil toneladas subsidiadas. ‎#VemPraRua

Livro catalóga flora da Caatinga do rio São Francisco

Obra apresenta 1.031 espécies de plantas,com 400 imagens

Conversei com o José Alves de Siqueira, professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), que acaba de lançar um livro “As Floras das Caatingas do rio São Francisco.. Ele me contou belas histórias da região e mostrou fotos belíssimas.

As Caatingas, porque, segundo ele, diferentemente do que se acredita o bioma não é nada pobre e tampouco agreste como se acredita. Pelo contrário, trata-se de um ecossistema heterogêneo. Suas características variam de lugar pra lugar e apresentam acentuado endemismo (espécies de ocorrências restritas).

O livro tem mais de 400 ilustrações. Faz um inventário da flora, conta a história da região, degradação e explorações científicas do sec. XIX.

Para recolher o material do livro, Alves e sua equipe percorreram 340 mil km (oito voltas na Terra), durante os últimos quatro anos. Ao final, catalogaram 1.031 espécies de plantas, sendo que, mais de cem endêmicas da bacia do São Francisco.

O professor alerta que a região sofre forte processo de degradação. E que, de uma forma geral, a Caatinga é o bioma menos defendido do país. Segundo ele, apenas 1% se localiza em áreas protegidas. Não assumimos nosso compromisso com a Convenção da Biodiversidade, cuja a meta seria proteger 10% do bioma.

A obra vem também com um diagnóstico de área prioritárias para a preservação. Por exemplo, o Boqueirão da Onça, com área de 820 mil hectares, no norte da Bahia, tem um processo no Ministério do Meio Ambiente para torná-lo área protegida, mas se arrasta desde 2006.

foto: José Alves

Boqueirão da Onça, área de 820 ha, indicada como prioritária para a preservação

Trata-se de uma região com um misto de vários biomas: campos rupestres e até amazônico. Ali se encontra a última população de onça pintada bem distribuída. O projeto, no entanto, está parado porque, segundo ele, ali querem implantar o maior parque eólico do país.

Manejo – O livro faz uma avaliação da sustentabilidade do manejo na região. Diz que é viável e necessário. E um dos possíveis caminhos para as soluções socioeconômicas da região. Há várias espécies com potências. O umbuzeiro e o licuri, por exemplo, são estratégicas. “Podem conciliar atividades de larga escala e distribuição de renda”, garante.

Só que as atividades são ameaçadas pela introdução de espécies invasoras com alto impacto na vegetação nativa. A criação extensiva de caprinos, por exemplo, é um problema enorme. Só na região há cerca de 90 milhões de cabeças criadas soltas.

O livro vai ser vendidos em livrarias de todo o país. Quem quiser adquirir pode entrar em contato pelo e-mail: crad@univasf.edu.br