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Errata (alheia): Ao contrário do que diz IPEA, Acre produz 1,3 milhão de mudas de nativas por ano

fonte: Secom Acre

Comitiva alemã com equipe do Viveiro da Floresta

Entrou em contato comigo, André Pellicciotti, chefe de departamento de silvicultura do Viveiro da Floresta, em Rio Branco, no Acre. Ele leu a nota abaixo sobre a pesquisa da produção de muda do IPEA e não entendeu como o viveiro que chefia pôde ter ficado de fora – sendo órgão estatal e devidamente cadastrado no Renasem.

O Viveiro da Floresta funciona há 10 anos e produz 1 milhão de mudas de mais de 60 espécie de árvores nativas por ano. Mantém uma filial em Cruzeiro do Sul, norte do estado, com capacidade de produção de mais 160 mil mudas por ano. Se precisar aumentar a produção, o Viveiro da Floresta tem capacidade instalada para produzir 50% mais – sem perder a qualidade.

André conta que, assim que leu a nota, entrou em contato como o IPEA, que, por sua vez, colocou a culpa no Ministério da Agricultura (MAPA), cujas unidades estaduais teriam apoiado a pesquisa.

Detalhe: o Viveiro da Floresta, localiza-se na rodovia AC-40, Km 3, nº 1.387. Vizinho da unidade estatal do MAPA, em Rio Branco.

Bem, deixa pra lá.

O fato é que o Viveiro da Floresta mantém 25 funcionários, sendo três de nível superior, aprovados em concurso público. Produz mudas de 60 espécies nativas, como mogno, cumaru ferro; além de frutíferas da região, como o açaí.

O serviço de coleta de semente é terceirizado, mediante edital. A empresa vencedora vai a campo com equipe de mateiros e é dela a responsabilidade da identificação das árvores matrizes.

Além da produção de mudas nativas, o Viveiro da Floresta já começou um projeto de mudas micropropagadas. Em dois anos, deverá produzir 1 milhão de mudas de banana e abacaxi.

Produção privada – Além do Viveiro da Floresta, localizei um outro de iniciativa privada. Também fica em Rio Branco e tem site e tudo, Reflorestadora Amazônia Viva.

Liguei lá, atendeu a engenheira florestal responsável, Miriam Barbosa. Ela também estranhou o fato de terem ficado de fora, até porque são referência no estado, onde operam desde 1998. A empresa está devidamente cadastrada no Renasem.

No entanto, ao contrário de André, Miriam, como boa acreana, já está conformada em ver seu estado sempre esquecido por Brasília.

Ela conta que a empresa produz 300 mil mudas por ano e emprega 18 funcionários. Mas opera também no mercado de exóticas e ornamentais.

Perguntei a ela sobre a concorrência. Miriam disse que a empresa dela é a maior do Acre, mas que sabe de algumas outras com capacidade de até 30 mil mudas/ano.

7 X 1 – Se o IPEA não consegue localizar os viveiros em plena capital do Acre, a embaixada da Alemanha conseguiu. Ontem mesmo o Viveiro da Floresta recebeu a ilustre visita do embaixador da Alemanha, Divle Brengelmann. Veja nota da Agência de Notícias do Acre: aqui

IPEA: produção de mudas nativas é pequena no país, mas capacidade instalada pode dobrar produção

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Técnico federal coleta sementes de guanandi para produção de mudas no oeste de Tocantins

Saiu ontem pesquisa do Ipea que conseguiu catalogar 1.276 viveiros que produzem espécies florestais nativas no Brasil. A maioria está em São Paulo onde há 369. O Paraná vem em segundo no levantamento com 110. O Pará, na região Norte, tem 106. E Santa Catarina tem 88 viveiros. No Acre, Maranhão e Piauí não foram encontrados viveiros de nativas.

É privada a maior parte dos viveiros apurados pela pesquisa, 70,3% do total. Os viveiros públicos (a pesquisa não diferencia público de estatal) correspondem a 18,7%. Organizações não governamentais (ONGs), segundo o estudo, administram 6,1% dos viveiros encontrados.

Sobre a quantidade de empregos que geram, dá vergonha até de mencionar,  2.117 ao todo, sendo 352 deles temporários.

primeiro semestre 2014 059

Custo de produção vária de R$ 0,9 a R$12 por muda

O Ipea considera o mercado de espécies nativas no Brasil um gargalo para as políticas de reflorestamento. Dos viveiros localizados, apenas 22,7% têm produção exclusiva de mudas ou sementes nativas.

No caso das sementes, a produção é ainda pior, quase ninguém produz. No estado do Rio de Janeiro, há apenas três produtores, segundo o estudo.

Legislação – Os técnicos avaliam que a parca produção de sementes é porque a legislação emperra. Principalmente devido à IN Nº 56 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. “Em linhas gerais, a normativa traz exigências difíceis de serem cumpridas, muito em função de depender de uma infraestrutura que não existe, como acontece com a questão dos laboratórios”, diz o texto.

Porém, há exemplos de marcos regulatórios que podem estar incentivando a produção. Exemplo disso seria a Resolução SMA Nº 8 de 2008 da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, que coloca diretrizes para projetos de restauração ecológica e determina que devem ser utilizadas, no mínimo, 80 espécies para os plantios.

Para os técnicos, “aparentemente essa determinação tem consequências indiretas no aumento do número de espécies produzidas nos viveiros de florestais nativas”. Talvez seja por causa disso que, em São Paulo, 72 viveiros declararam produzir mais de 80 espécies nativas florestais. O maior percentual do estudo.

30% dos viveiros não fazem identificação de sementes

30% dos viveiros não fazem identificação de sementes

A pesquisa conseguiu identificar que a coleta de sementes por parte dos viveiros é feita em áreas particulares e em florestas naturais. O estudo não especifica, mas, quando os produtores falam em florestas naturais, com certeza, se referem a unidades de conservação. Oxalá, parques nacionais e estaduais, de onde nada se tira, né, só fotografias…

mupas por regiao

Duas notícias são positivas. Ou menos ruins. A primeira é que os viveiros têm capacidade para produzir mais do ‘que o dobro da produção atual. 218 estabelecimentos informaram que produzem ao todo aproximadamente 57 milhões de mudas/ano.

E que a maior parte da capacidade instalada está justamente nos estados com mais de 50% dos passivos oriundos da nova Lei Florestal (Lei no 12.651/2012). Quais sejam, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.

Outro dado curioso da pesquisa – que interessa mais ao consumidor do varejo – é que apenas 25% dos viveiros fazem checagem técnica das árvores usadas como matrizes (em baixo das quais o mateiro coleta as sementes). Essa checagem pode ser feita pelos ramos, comparando com imagens de livros de identificação, ou pelo envio do ramo da árvore matriz para um herbário.

Isso quer dizer que aquela semente ou muda que ganhamos no Dia da Árvore tem grande chance de não ser o que  tá indicado no saquinho.

Todo inverno, meu compadre espera ver florido um ipê que plantou há vinte anos. “O do vizinho fluora que é uma belezura”, comenta de cabeça baixa.

Para ver o estudo completo, aqui Diagnóstico da Produção de Mudas Florestais Nativas no Brasil

Comunicado Nº 82 do Ipea engessa poder de compra

O Comunicado Nº 82 do Ipea que trata do “poder de compra” para melhorar o meio ambiente não traz nada de novo – de novo. Dos dados apresentados nas Referências, apenas cerca de 20% das fontes foram publicadas depois de 2005.

A conclusão é que o único caminho para a sustentabilidade da relação oferta e demanda é a burocracia da certificação.

Outras formas de fomento para uma economia verde, que uso o tal poder de compra pra a virada para uma economia verde, como compras públicas sustentáveis (A3P), educação ambiental, investimento em indústrias de desenvolvimento verde não parecem ser relevantes para o IPEA.

Nada contra a certificação. Mas se trata de um instrumento limitado. Muitas vezes serve só para green wash.

No Brasil, para que um pequeno produtor não madeireiro certifique sua produção, ele tem de soltar, de cara, pro certificador coisa de R$ 1 mil por ano. Sem contar o custo dos investimentos que lhe serão exigidos.

Acompanhei alguns processos na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, e vi produtores comunitários dando nó em pingo d’água pra certificar sua produção, mas no final das contas não conseguirem nada.

Certificação para comunitário chega a R$ 1 mil/ano

Mas a pesquisa do IPEA não dá ênfase à inclusão econômica de atividades tradicionais. Embora parte do trabalho seja sobre floresta. Mercado é coisa para empresas e empresários.

Outra lado da pobreza do Comunicado Nº 82 do Ipea é submissão dos pesquisadores aos princípios econômicos neoclássicos.

Ao adotar as premissas neoclássicas, o pesquisador fica refém da dicotomia crescimento X meio ambiente. Trata-se de um falso dilema, que tem servido a ganha com a degradação ambiental.

Outras linhas de pensamento econômico, por exemplo, teriam entendimento distinto dos aspectos distributivos da produção ou dos chamados serviços ambientais. Vide teóricos como Faucheux, Cristovam ou Peter May. Só assim, vc pode entender a questão ambiental como ativo e não externalidades.

Discordo da econômica clássica quando entende as variáveis ambientais como #externalidades (sempre negativas). Externalidades seria tudo aquilo externo às atividades da empresa.

Capita natural, mão de obra especializada, pra mim, não têm nada de externalidade. São, sim, fatores de produção – que exigem investimentos e remuneração.

Meu conceito de externalidade negativa é o custo que o dono da empresa acha que dá pra terceirizar ou incluir no preço-final.

Dentro das análises sobre certificação, a pesquisa ressalta a importância da comunicação para dar simetria à informação sobre os produtos padronizados, mas também para que a população possa exercer a liberdade de escolha.

(Alguém podia levar isso lá para os dirigentes do MMA – tá precisando.)

Comunicado 82:  http://bit.ly/fXS8NI