Trabalhar com proteção ambiental é ser mãe ao contrário

  Conheci aqui na gruta de Maquiné, em Cordisburgo/MG, o guia Roberto Correia.

Roberto conta que trabalha ali há 30 anos. Aos oito, pisou na gruta pela primeira vez e se encantou. 

Desde então, seu cotidiano é guiar levas e levas de visitantes buraco adentro. Ensinar sobre a química que tornou tudo aquilo possível, lembrar da História e eternizar as lendas que humanizam o lugar.

“Percebam que, desde que entraram na gruta,  vocês não conseguiram mais pensar no mundo lá fora. Isso porque aqui em baixo a gruta sequestra nosso pensamento”, esclarece.

Ultimamente, Roberto anda preocupado. Depois de 25 anos, a fundação que administrava o acesso ao sítio ecológico perdeu a concessão. Seu futuro é incerto.

Lá fora, puxei um dedo de prosa com ele.  Mas seu depoimento era amargurado, o oposto do bom humor com que tinha guiado os visitantes.

“A verdade é que, nesse tempo todo, meu trabalho, foi acompanhar Maquiné se degradar. Antes, tinha água. Tinha vida. Hoje a gruta está morta.”

“Pois é, Irmão, trabalhar com proteção ambiental no Brasil é como ser mãe ao contrário: você cuida, cuida e cuida, mas seu objeto de proteção só definha, definha, definha.”

Evangélico, o guia garante que não guarda rancor. “Me sento aqui e me resguardo na oração”, desconversa.

Sorte dele, que nasceu com fé no coração. E azar de quem, como eu, nasceu com a fé cega na razão.

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One response to this post.

  1. Posted by Luiz on 11/08/2015 at 15:45

    Republicou isso em Florestas Públicas.

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