Livro catalóga flora da Caatinga do rio São Francisco

Obra apresenta 1.031 espécies de plantas,com 400 imagens

Conversei com o José Alves de Siqueira, professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), que acaba de lançar um livro “As Floras das Caatingas do rio São Francisco.. Ele me contou belas histórias da região e mostrou fotos belíssimas.

As Caatingas, porque, segundo ele, diferentemente do que se acredita o bioma não é nada pobre e tampouco agreste como se acredita. Pelo contrário, trata-se de um ecossistema heterogêneo. Suas características variam de lugar pra lugar e apresentam acentuado endemismo (espécies de ocorrências restritas).

O livro tem mais de 400 ilustrações. Faz um inventário da flora, conta a história da região, degradação e explorações científicas do sec. XIX.

Para recolher o material do livro, Alves e sua equipe percorreram 340 mil km (oito voltas na Terra), durante os últimos quatro anos. Ao final, catalogaram 1.031 espécies de plantas, sendo que, mais de cem endêmicas da bacia do São Francisco.

O professor alerta que a região sofre forte processo de degradação. E que, de uma forma geral, a Caatinga é o bioma menos defendido do país. Segundo ele, apenas 1% se localiza em áreas protegidas. Não assumimos nosso compromisso com a Convenção da Biodiversidade, cuja a meta seria proteger 10% do bioma.

A obra vem também com um diagnóstico de área prioritárias para a preservação. Por exemplo, o Boqueirão da Onça, com área de 820 mil hectares, no norte da Bahia, tem um processo no Ministério do Meio Ambiente para torná-lo área protegida, mas se arrasta desde 2006.

foto: José Alves

Boqueirão da Onça, área de 820 ha, indicada como prioritária para a preservação

Trata-se de uma região com um misto de vários biomas: campos rupestres e até amazônico. Ali se encontra a última população de onça pintada bem distribuída. O projeto, no entanto, está parado porque, segundo ele, ali querem implantar o maior parque eólico do país.

Manejo – O livro faz uma avaliação da sustentabilidade do manejo na região. Diz que é viável e necessário. E um dos possíveis caminhos para as soluções socioeconômicas da região. Há várias espécies com potências. O umbuzeiro e o licuri, por exemplo, são estratégicas. “Podem conciliar atividades de larga escala e distribuição de renda”, garante.

Só que as atividades são ameaçadas pela introdução de espécies invasoras com alto impacto na vegetação nativa. A criação extensiva de caprinos, por exemplo, é um problema enorme. Só na região há cerca de 90 milhões de cabeças criadas soltas.

O livro vai ser vendidos em livrarias de todo o país. Quem quiser adquirir pode entrar em contato pelo e-mail: crad@univasf.edu.br

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