“Vida na floresta não significa pobreza”, alerta especialista

Foto: Tashka

Vera Olinda, da Comissão Pró-Índio do Acre

Conversei ontem com Vera Olinda, da Comissão Pró-Índio do Acre. Na palestra que ministrou, dentro da programação da Rio+20, ela comentou sobre os benefício sociais que os governos têm distribuído para as populações da floresta.

Vera reconhece a importância da melhoria da renda dessas populações, mas chama a atenção para não confundir pobreza nas cidades e falta de renda em região de alto rio.

“Na floresta, as gerações que ali moram têm acesso à água limpa, solo fértil e padrões culturais preservados”, afirma Vera. “O que as mantém fora do que classificamos de pobreza”, explica.

“Agora, quando chegam esses auxílios governamentais, que enquadram essas populações nas faixas de pobreza ou extrema pobreza, aí, sim, eles podem ser transformados em realmente em pobres”, alerta.

“Tratam-se de padrões importados por quem pouco conhece a Amazônia”, afirma Vera. “E não servem para compreender a riqueza cultural da região”, garante.

Vera se refere às iniciativas governamentais de erradicação da pobreza como Bolsa Floresta, do governo do Amazônas, ou o Bolsa Verde, do Governo Federal.

Foto: Instituto Peabiru

Açaí movimento cerca de R$ 1,8 bilhão. Mas falta de políticas leva lucro pra longe da floresta

Direito ao Trabalho – Rubens Gomes, presidente do GTA (Grupo de Trabalho Amazônico) concorda com Vera. Segundo conta, na Amazônia, as populações tradicionais ‘pisam em comida’.

“Nossa maior preocupação é como transformar toda essa riqueza, que apodrece floresta adentro, em trabalho e renda para as comunidades”, qustiona.

O problema, segundo Gomes, é que, depois que começou a distribuição dessas bolsas para os povos da floresta, diminuíram as preocupações governamentais para com a viabilização de uma economia extrativista.

Gomes vem alertanto desde o ano passado para o baixo desempenho das atuais políticas públicas na promoção de uma economia florestal, com distribuição de renda e valorização da floresta em pé.

“Desconfio dessa troca da promoção do trabalho pela oferta de mesada”, conjectura.

Afinal de contas, como diz o ditado, o almoço nunca é de graça.

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